28 agosto, 2010

Fado Partido

"Todo o pranto será, sim
Para mostrar
Que partida não é fim
É recomeço
É o avesso do luto
Um renascer
O fado vem esclarecer

Um azul ultramar
Num brilho florescerá
Pra matizar este destino
Descortinar o tom do enredo
Que tão cedo
Fez o fruto do arvoredo
Vingar

Cada vez que voltar sei
Será melhor
E a saudade que deixei
Será lembrança
Mansa, bela e suave
Vai flutuar
O fado virá confirmar

Flores a perfumar
E rios a desaguar
Virão temperar os oceanos
A nos separar
Em continentes
Mas já juntos
Sorridentes
Vamos só recordar

Todo pranto será , sim
Para mostrar
Que partida não é fim
Só um recomeçar
É o avesso do luto
Um renascer
Meu fado vem esclarecer"


Composição: Ricardo Cruz/ Pedro Luis

31 julho, 2010

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas..."

Mário Quintana

29 julho, 2010

Smile

"Smile though your heart is aching
Smile even though it's breaking
When there are clouds in the sky,
you'll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through for you

Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile"



"Sorri,
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios

Sorri,
Quanto tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador, sorri

Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos

Sorri,
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz"

28 julho, 2010

"the mind can go
in a thousand directions
but in this beautiful path
I walk in peace"

(Thich Nhat Hahn)

27 julho, 2010

Ana e o Mar

"Todo sopro que apaga uma chama
reacende o que for pra ficar"

Fernando Anitelli

15 julho, 2010

Na sua estante

"Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar

Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres e outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham,
não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar..."

Composição: Pitty

16 junho, 2010

...



"Vou deixar a vida me levar pra onde ela quiser"

26 maio, 2010

Memória da pele

Foto: Quark
Título: Sommeil
Fonte: Olhares.com


"Eu já esqueci você,
tento crer
Seu nome, sua cara,
seu jeito, seu odor

Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça
da pedra dura

Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei, não sou eu

Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei

Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia

Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha
agora na taça da minha cabeça

Eu já esqueci você,
tento crer
Nesses lábios que meus lábios
sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca,
coração"

Composição: João Bosco / Waly Salomão

16 maio, 2010

Perto do coração selvagem

“Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento,
eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim,
provarei a mim mesma que nada há a temer,
que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio,
erguerei dentro de mim o que sou um dia,
a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas,
água pura submergindo a dúvida, a consciência,
eu serei forte como a alma de um animal
e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas,
não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade,
não o passado corroendo o futuro!
O que eu disser soará fatal e inteiro!”

Clarice Lispector

11 maio, 2010

Amanhã


Foto: Marcos Sobral
Título: Morning dream
Fonte:
Olhares.com

"Amanhã
Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar

Amanhã
Redobrada a força
Pra cima que não cessa
Há de vingar

Amanhã
Mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro-rei vai brilhar

Amanhã
A luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar

Amanhã
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Que existe é pra vicejar

Amanhã
Apesar de hoje
Ser a estrada que surge
Pra se trilhar

Amanhã
Mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar

Amanhã
Ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno, será pleno"

Guilherme Arantes

30 março, 2010

Pessoa predileta




"O amor dela é tranquilo, imutável, o meu é para agora, renovável. Ai se ela não demonstra apego numa tarde, mergulho em surto. Ela não depende de jura e declarações, está bem assim, cercada de um silêncio atento, sabendo que a amo. Quando preciso dela, ela supõe que é drama e mais uma artimanha para ser o centro dos acontecimentos. Quando ela precisa de mim, eu deduzo que ela procura se afastar e perdeu o interesse."

Da crônica "Pessoa predileta", de autoria de Fabrício Carpinejar

Fonte: http://carpinejar.blogspot.com/

26 março, 2010

Luz da nobreza


Foto: Valeschka Guerra

"Minha folia
É a rainha
Que faz coroação
E seu cortejo
Traduz desejo
Alegra o coração
Que vai
Devagarinho
Deixando o ninho
Buscando a imensidão
Passeio breve
Seu passo é leve
Compasso de canção

Vem
Pedir passagem
Seguir viagem
Até um clarear
De cor tão bela
Qual aquarela
Eu quero ofertar
Pra ti
Todos os brilhos
Todos os filhos
Nascidos do cantar
Eu trago a prenda
E a oferenda
Te tiro pra dançar

Dança de rei
Coisa de Deus
Deixa eu ser seu par

Rosa de luz
Rindo pro céu
Quero cortejar
E louvar

Agradecido
Brindo ao destino
Com versos que colhi
Pelo caminho
Desde menino
Poetas que ouvi
Me dão
Tecido nobre
De ouro e cobre
Com rendas que escolhi
Eu faço o manto
Junto ao meu canto
E ofereço a ti

Dança de rei
Coisa de Deus
Deixa eu ser seu par

Rosa de luz
Rindo pro céu
Quero cortejar
E louvar

Na despedida
A estrada é linda
Pra sempre um caminhar
E sopra o vento
Do encantamento
Certeza de voltar
É bom
Que seja logo
Aos céus eu rogo
Que eu volte para ver
Tanta beleza
Luz da nobreza
Pra sempre eu quero ter
Você e eu"

Composição: Pedro Luis/ Zé Renato

Agora sim

"Amor assim não tem não quem não queira
Quem me quer bem é bem quem eu queria
Agora sim me sinto mais inteira
No meu caminho nessa companhia

Agora eu tenho e come em minha mão
Quem antes só tão só em sonho eu tinha
Quem me completa mente e coração
E tá completamente sim na minha

Dona melancolia já não me detona sem dó
E a senhora alegria já não me abandona
Pois agora eu não sou só eu só

Agora eu tenho quem eu tinha em mira
Eu tenho amor que não é de mentira
Agora eu tenho quem eu tinha em mira
Eu tenho quem me tem e me admira

Amor assim não tem não quem não queira
Quem me quer bem é bem quem eu queria
Agora sim me sinto mais inteira
No meu caminho nessa companhia
Agora sim me sinto mais inteira
No meu caminho nessa companhia
Agora sim me sinto mais inteira
No meu caminho nessa companhia"

Roberta Sá e Pedro Luís

24 março, 2010

Timoneiro


Foto: Rui Soldado
Título: Momentos

"Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
- Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar

A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor
Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz"

Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho

18 março, 2010

The journey


Foto: Valeschka Guerra
Local: Keukenhof Park


"One day you finally knew
what you had to do, and began,
though the voices around you
kept shouting
their bad advice -
though the whole house
began to tremble
and you felt the old tug
at your ankles.

"Mend my life!"
each voice cried.
But you didn't stop.

You knew what you had to do,
though the wind pried
with its stiff fingers
at the very foundations,
though their melancholy
was terrible.

It was already late enough,
and a wild night,
and the road full of fallen
branches and stones.

But little by little,
as you left their voices behind,
the stars began to burn
through the sheets of clouds,
and there was a new voice
which you slowly
recognized as your own,
that kept you company
as you strode deeper and deeper
into the world,
determined to do
the only thing you could do -
determined to save
the only life that you could save."

Mary Oliver

26 fevereiro, 2010

Desenredo

"Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso.

O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tranças do teu desejo.

O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo.

O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso.
Mas quando eu chego
Eu me perco
Nas tramas do teu segredo.

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe.

A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo.

O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego
Eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo.

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe."

Nas vozes de Roberta Sá e Boca Livre

24 fevereiro, 2010

Novo Amor


Foto: DDiarte
Título: Carnaval... Clown
Fonte: Olhares.com



"A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval

Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer meu novo amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou

A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o novo amor"

Composição: Edu Krieger
Na voz de Roberta Sá

22 fevereiro, 2010

Samba de um minuto


Foto: Alexander Kharlamov
Título: Palhaço
Fonte:
Olhares.com

"Devagar
Esquece o tempo lá de fora
Devagar
Esqueça a rima que for cara.

Escute o que vou lhe dizer
Um minuto de sua atenção
Com minha dor não se brinca
Já disse que não
Com minha dor não se brinca
Já disse que não.

Devagar
Esquece o tempo lá de fora
Devagar
Esqueça a rima que for cara.
Escute o que vou lhe dizer
Um minuto de sua atenção
Com minha dor não se brinca
Já disse que não
Com minha dor não se brinca
Já disse que não.

Devagar, devagar com o andor
Teu santo é de barro e a fonte secou
Já não tens tanta verdade pra dizer
Nem tão pouco mais maldade pra fazer.
E se a dor é de saudade
E a saudade é de matar
Em meu peito a novidade
Vai enfim me libertar.
Devagar..."

Composição: Rodrigo Maranhão
Na voz de Roberta Sá

16 fevereiro, 2010

É hoje




"A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra

Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar

Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Eu levei!
Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá

Acredito
Acredito ser o mais valente
Nessa luta do rochedo com o mar
E com o ar!

É hoje o dia da alegria
E a tristeza
nem pode pensar em chegar

Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu"

Composição: Didi e Maestrinho

06 fevereiro, 2010

Invictus

"Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul."

William Ernest Henley
(1849 - 1902 / Gloucester / England)


TRADUÇÃO:
Tradutor: André Masini

"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável, agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."