26 fevereiro, 2007

Bom demais



Bom Demais
(J. Michilles)

"Tem mais que estar nessa
Fazendo misura na ponta do pé
Quando o frevo começa
Ninguém me segura
Vem ver como é

Tem mais que estar nessa
Fazendo misura na ponta do pé
Quando o frevo começa
Ninguém me segura
Vem ver como é

O frevo madruga
Lá em São José
Depois em Olinda
Na praça do Jacaré

Bom demais, bom demais
Bom demais, bom demais
Menina vem depressa
Que esse frevo é bom demais

Bom demais, bom demais
Bom demais, bom demais
Menina vamos nessa
Que esse frevo é bom demais"

Hino das Muriçocas do Miramar

Os recifenses que me perdoem, mas João Pessoa também tem carnaval. E não tem quem bata as Muriçocas. Então, aqui vai o hino do melhor bloco pré-carnavalesco, as Muriçocas do Miramar.



Foto: Site oficial das Muriçocas
Hino das Muriçocas do Miramar


"João Pessoa sonha
com o seu verde e colorido azul do mar
e a cidade velha
já se acorda com seu canto secular

São as muriçocas
abram alas que elas vão voar
espalhando alegria
de Tambaú ao Rio Sanhauá

É um trê-lê-lê,
é um zum-zum-zum-zunindo
É um trê-lê-lê,
Cuidado que elas vão te picar,
salve, salve, sejam bem, bem-vindas
as muriçocas do Miramar

É um trê-lê-lê,
é um zum-zum-zum-zunindo
É um trê-lê-lê,
Cuidado que elas vão te picar,
salve, salve, sejam bem, bem-vindas
as muriçocas do Miramar"


Fuba

16 fevereiro, 2007

Galo da Madrugada


Hino do Galo da Madrugada

Ei pessoal, ei moçada
Carnaval começa no Galo da madrugada

A manhã já vem surgindo,
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada
já está na rua, saldando o Carnaval

Ei pessoal, ei moçada
Carnaval começa no Galo da madrugada

As donzelas estão dormindo
As cores recebendo o orvalho matinal
E o Galo da Madrugada
Já está na rua, saudando o Carnaval

Ei pessoal, ei moçada
Carnaval começa no Galo da madrugada

O Galo também é de briga, as esporas afiadas
E a crista é coral
E o Galo da Madrugada, já está na rua
Saudando o Carnaval

Ei pessoal, ei moçada
Carnaval começa no Galo da madrugada

Professor José Mário Chaves

14 fevereiro, 2007

Noite dos mascarados

Uma pausa no frevo, devido ao Valentine's Day (Dia dos namorados na Europa), mas ainda em ritmo de carnaval...



Noite dos mascarados

"Quem é você?
Adivinha se gosta de mim
Hoje os dois mascarados
procuram os seus namorados perguntando assim:
Quem é você, diga logo...
...que eu quero saber o seu jogo
...que eu quero morrer no seu bloco...
...que eu quero me arder no seu fogo

Eu sou seresteiro, poeta e cantor
O meu tempo inteiro, só zombo do amor
Eu tenho um pandeiro
Só quero um violão
Eu nado em dinheiro
Não tenho um tostão...
Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar
Eu sou tão menina
Meu tempo passou
Eu sou colombina
Eu sou pierrô

Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar,
deixa o barco correr,
deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira
que você me quer
O que você pedir eu lhe dou
Seja você quem for, seja o que Deus quiser
Seja você quem for, seja o que Deus quiser"

Chico Buarque

12 fevereiro, 2007

Elefante



Foto: Passarinho
Título: Elefante
Fonte:
Prefeitura de Olinda

Olinda N.2/Elefante

"Ao som dos clarins de Momo
O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando
A sua tradições
E também o seu esplendor

Olinda esse meu canto
Foi inspirado em seu louvor
Entre confetes e serpentinas
Venho lhe oferecer
Com alegria o meu amor

Olinda! Quero cantar
A ti, esta canção
Teus coqueirais
O teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar
Minha Olinda sem igual
Salve o teu carnaval"

Clóvis Vieira e Clidio Nigro

Hino da Ceroula



Foto: Passarinho
Título: Passistas
Fonte:
Prefeitura de Olinda

Em uma pequena homenagem ao Carnaval, em especial ao de Olinda (eita, saudade...), vou apresentar aqui algumas das músicas que escutava enquanto subia e descia as ladeiras da cidade alta, os hinos do Carnaval que fazem todo mundo cair na folia; aqueles que são impossíveis de esquecer, não importa o quanto ou há quanto tempo se está longe.

Hino da Ceroula

"Eu vou este ano à Lua
Não é privilégio
Foguete já tem

Eu quero ver se lá tem carnaval de rua
Collin e Armstrong
disseram que tem

Eu quero ver se tem troça que escolha
Como em Olinda que tem a Ceroula

Mas se tiver para mim é legal
Passarei lá na Lua todo o carnaval
Mas se tiver para mim é legal
Passarei lá na Lua todo o carnaval"

Milton B. Alencar

02 fevereiro, 2007

Eu vou lhe contar que você não me conhece...




Foto: Lara Pires
Título: Into my soul
Fonte:
Olhares.com

“Eu vou lhe contar que você não me conhece.
Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você.
Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira
um abismo maior nos separa.

Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou
e a mentira da aparência do que você é,
porque eu não sou meu nome e você não é ninguém.

O jogo perigoso que eu pratico aqui,
ele busca chegar ao limite possível de aproximação,
através da aceitação da distância e do reconhecimento dela.

Entre eu e você existe a notícia, que nos separa.
Eu quero que você me veja à mim.
Eu me dispo da notícia, e a minha nudez parada te denuncia e te espelha.

Eu me delato, tu me relatas.
Eu nos acuso e confesso por nós.
Assim me livro das palavras com as quais você me veste.”

Texto: Fauzi Arap
Por Maria Bethânia, álbum Pássaro da Manhã - 1977

31 janeiro, 2007

A paixão segundo G.H.




Foto: Miguel Delgado e Silva
Título: Looking
Fonte:
Olhares.com


"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mais que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que eu nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem querer precisar me procurar."

Clarice Lispector

20 janeiro, 2007

Nascimento



Foto: António Lança
Título: Solitária II
Fonte: Olhares.com


Nascimento

“Saio de mim mesma
como pássaro
do ovo.

De espaço
e asas
faço meu aprendizado...”

Violeta Formiga

08 janeiro, 2007

À flor da pele



Foto: Framurana
Título: A mulher que vem da estátua
Fonte: Olhares.com

À flor da pele

"Ando tão à flor da pele,
Qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele,
Que teu olhar, flor na janela, me faz morrer
Ando tão à flor da pele,
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele,
Que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras suicido"

Zeca Baleiro

02 janeiro, 2007

Feliz 2007!!



Foto: Pedro N. S. Costa
Título: Asas da liberdade
Fonte: Olhares.com


Voa coração

"Voa coração
que a minha força te conduz
que o sol de um novo amor em breve vai brilhar

Vara a escuridão
vai onde a noite esconde a luz
clareia seu caminho e acende seu olhar

Vai onde aurora mora e acorda um lindo dia
colhe a mais bela flor
que alguém já viu nascer

E não esqueça de trazer força e magia
o sonho, a fantasia
e alegria de viver

Voa coração
que ele não deve demorar
e tanta coisa mais quero lhe oferecer

O brilho da paixão
pede uma estrela pra emprestar
e traga junto a fé de um novo amanhecer

Convida a lua cheia, minguange e crescente
e de onde se planta a paz
da paz, quero a raiz

E uma casinha lá onde mora o sol poente
pra finalmente a gente
simplesmente ser feliz..."


Toquinho

15 dezembro, 2006

O que tinha de ser



Foto: Luís Pereira Jr.
Título: Círculos
Fonte: Olhares.com


O que tinha de ser

"Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança

Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher

Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma

Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser "

Vinicius de Moraes & Antonio Carlos Jobim

10 dezembro, 2006

Sonho



Foto: Nuno Milheiro
Título: Spring Painting
Fonte: Olhares.com


Sonho
(2001)

"À noite, fechei os olhos
E me rendi ao cansaço
De mansinho, o sono chegou
E me levou pelo espaço.

Vi uma revoada de borboletas
Por sobre as flores da estrada,
Tinha uma canção da cabeça
Para alegrar minha caminhada.

No campo passei voando
Num galope disparado,
Senti o vento no rosto
Com o coração acelerado.

Vi todas as estrelas do céu
Em noite de lua cheia,
E seu brilho era um véu
De prata por sobre a areia.

Vi o sol nascer bonito
Quando o dia se levanta,
E ouvi a alegria
Da passarada quando canta.

Senti o cheiro da chuva
No olho verde da vida
E voltou ao meu coração
A alegria perdida.

No mundo dos sonhos, eu vi
Na suave claridade,
Um sol em seu olhar
Brilhar com intensidade.

Vi o sorriso dos filhos
Que ainda desejo ter
Naquele olho de sol
Que sorria, a me aquecer.

Vi tantas coisas lindas,
Arco-íris, tempestades,
O pincel de um poeta
A colorir a cidade.

Vi um dia ensolarado,
Uma noite de luar,
As quatro estações do ano,
O mundo sempre a girar.

Senti o cheiro da terra
No meu corpo se perder
Senti o sorriso da vida
Em meus lábios florescer
E, ao acordar da viagem,
Sei que sonhei com você..."

17 outubro, 2006

Sorrisos




Foto: Sérgio Redondo
Fonte: Olhares.com



Sorrisos

"Fiz poesias para você... ainda as faço.
Palavras de tinta azul na folha em branco
Cujas linhas direcionam meus pensamentos,
Sensações, desejos, sentimentos
Descrevo o teu sorriso, o teu olhar,
A sutileza dos gestos,
Enquanto sua respiração quente arrepia minha pele.
Meu olhar sorri.

Sonhei com você... ainda sonho
Entre flores e pesadelos,
sensações surreais de amor e distância
Que preenchiam minha cama nas noites de solidão e ânsia.
Meu sono sorri.

Viajei com você... ainda viajo.
Demos uma volta ao mundo juntos.
Navio, carro, avião, estrada.
Quantas luas, quantos sóis nessa nossa caminhada
Quantas noites estreladas vivemos na grama molhada
Nos quatro cantos do mundo.
Meu caminho sorri.

Fiz amor com você... ainda faço.
Minha cama em fogo, cheiros, toques, sons e gritos
Respiração pesada e quente no meu peito
Jeito de quem não tem medo e nem pudor
Do sexo e do amor.
Meu corpo sorri.

Tive filhos com você... ainda os tenho.
Crianças brincam ao meu redor.
Seu sorriso eu vejo em cada rosto
E o brilho dos seus olhos brota do meu ventre,
Rasga o corpo e eu te dou à luz.
Meu filho sorri.

Vivi com você... ainda vivo.
Quanto tempo durou? Não sei.
Sei que já acabou.
Mas, em meu pensamento,
Ainda vivemos juntos, ao sabor do vento
E eu sei que ainda espero o teu retorno, forte e quente
Para que o meu sorriso volte a estar presente
Nas suas canções."

Em 08 de dezembro de 2000

14 outubro, 2006

Soneto da palavra



Foto: Nuno André Monteiro
Fonte: Olhares.com


Soneto da palavra

"A palavra nos define
A palavra nos limita
Existimos pela palavra
Verbo: palavra infinita.

Difícil é comunicar,
Expressar, abrir a boca
A palavra nos expõe
É como tirar a roupa.

Despir o corpo de seu sentido
Esvaziar-me de tudo:
Do sagrado e do proibido.

Virar palavra única, essencial.
Assim me encontro, grito mudo
Silêncio: palavra final."

22 de maio de 2001

(escrito após uma falha de comunicação no diálogo dos meus sentimentos com os teus...)

03 outubro, 2006

Minha alma tem o peso da luz...

"Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita,
prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

Clarice Lispector

27 agosto, 2006

Sugestão



Foto: Rubem Graça
Fonte: Olhares.com


Sugestão

"Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.

Uma cidade, sim. Edificada nas nuvens,
não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.

Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.

Uma cidade onde possas cantar
quando o teu peito parecer,
a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde possas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.

Uma cidade onde possas achar,
rútila e doce, a aurora
que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.

Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.

Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fardo: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.

Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.

É tempo. Faze tua cidade eterna,
e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida."

Thiago de Mello

25 agosto, 2006

Maurício

Nestes últimos dias, tenho acordado assim meio que de mau humor, meio que querendo colo, mas querendo ficar sozinha.
Um aperto grande no peito, como a iminência de algo, de uma explosão, de uma descoberta que vai de novo me jogar no abismo.
Ontem, consegui fazer algo bom, que me ajudou a afastar isso, mas hoje não está acontecendo.
Então, estou quieta, no canto, só observando pra ver se essa sensação passa, se o nó se desfaz, ou se consigo identificar o que está para acontecer.
Não sei se quero identificar isso como uma tentativa de prevenir, evitar que aconteça, ou de me preparar para aquilo que não será mais inesperado, mais ainda assim uma surpresa.

Acho que estou ouvindo Legião Urbana demais...



Foto: Patagonia
Fonte: Olhares.com


Maurício

"Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu.

Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar.
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem.

Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Para algum país distante e
Voltar a ser feliz.

Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se meu desejo estão já se realizou
O que fazer depois
Pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim."

Renato Russo

24 agosto, 2006

Explode coração



Foto: Edson Santos
Fonte: Olhares.com


"Chega de tentar dissimular
e disfarçar
e esconder
o que não dá mais pra ocultar
E eu não posso mais calar
já que o brilho desse olhar
foi traidor
e entregou o que você tentou conter
o que você não quis desabafar
e me cortou

Chega de temer, chorar, sofrer
sorrir, se dar
e se perder
e se achar
e tudo aquilo que é viver
eu quero mais é me abrir
e que essa vida entre assim
como se fosse o sol
desvirginando a madrugada
quero sentir a dor dessa manhã

Nascendo, rompendo, rasgando,
tomando meu corpo
e então eu
chorando, sofrendo, gostando,
adorando, gritando
feito louca, alucinada e criança
sentindo o meu amor se derramando
Não dá mais pra segurar
Explode coração"

Gonzaguinha

23 agosto, 2006

O amor é fogo que arde sem se ver



Obra: "O beijo"
Autor: Auguste Rodin


"Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"

Luís de Camões