07 dezembro, 2007

Esquadros


Foto: Rui Soares
Título: Nos limites da pele
Fonte: Olhares.com


"Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço?

Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado."


Adriana Calcanhotto

30 novembro, 2007

Há Tempos


Foto: Streetdog
Título: Abandono
Fonte: Olhares.com


"Parece cocaína
Mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem
Do cansaço e da solidão
Descompasso, desperdício
Herdeiros são agora
Da virtude que perdemos...
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro...

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso...

Os sonhos vêm e os sonhos vão
E o resto é imperfeito...


Dissestes que se tua voz
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira...

E há tempos
Nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens
Que adoecem
E há tempos
O encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura
Abrigo e proteção...

Meu amor!
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem


Lá em casa tem um poço
Mas a água é muito limpa..."

Composição: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

09 novembro, 2007

Eu quero ser possuída por você...



"Eu quero ser possuída por você, pelo seu corpo, pela sua proteção, pelo seu sangue.
Me ama! Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim. Com sua carne e o seu amor. Eternamente, infinitamente dentro de mim me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando... Como uma tarde dentro do elevador , no verão, voltando da praia e você me abraçou e eu te abracei... E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo, mais sobrava só o desejo, e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos... A vida inteira resumida só no desejo da tua boca dizendo o meu nome, da tua mão conduzindo a minha mão, do teu corpo revelando o meu corpo, como se o mundo fosse pela primeira vez, você o meu ponto de referência nessa cidade."

Fragmento de "Os Convalescentes", de José Vicente
Fonte: CD Maricotinha, Maria Bethânia

05 novembro, 2007

Sonnet 116


Foto: M.I.L.K. cards


"Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:
O no! it is an ever-fixed mark
That looks on tempests and is never shaken"

William Shakespeare

29 outubro, 2007

Confissão


Foto: Isaurinda Brissos
Título: O momento
Fonte: Olhares.com


"Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém

Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios

Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...

Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!"

Mário Quintana

13 setembro, 2007

A lembrança deste amor


Foto: Elda Maria
Título: Gota d'água
Fonte: Olhares.com

"Se já não lembras como foi,
Se já esqueceste o meu amor,
O amor que dei e que tirei,
Não queria lamentar depois.

Mas uma coisa é certa, eu sei.
Não tive nunca amor maior.
E ainda vivo o que te dei,
Ainda sei quanto te amei,
Ainda desejo o teu amor.

Não tenho esperança de te ver,
Não sei amor onde andarás.
Pergunto a todo o que te vê
E nunca sei como é que estás.

Agora diz-me o que farei
Com a lembrança deste amor.
Diz-me tu, que eu nunca sei,
Se voltarei ou não para ti,
Se ainda quero o que sonhei."

Pedro Ayres Magalhães
'Fado das Dúvidas' por Madredeus

07 setembro, 2007

Amazing grace



"Amazing grace
how sweet the sound
That saved a wretch like me
I once was lost,
but now am found
Was blind, but now I see.

It was grace that taught my heart to fear,
And grace my fears relieved
How precious did that grace appear,
The hour I first believed!

Through many dangers, toils and snares,
I have already come
This grace has brought me safe thus far,
And grace will lead me home

The Lord has promised good to me,
His word my hope secures
He will my shield and portion be,
As long as life endures

Yes, when this flesh and heart shall fail,
And mortal life shall cease
I shall possess, within the veil,
A life of joy and peace

The earth shall soon dissolve like snow,
The sun forbear to shine
But God, who called me here below,
Will be forever mine."

John Newton, em 1772

31 agosto, 2007

A Valsa


Foto: Paulo Madeira
Título: Paradise... not for me
Fonte:
Olhares.com

"Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co'as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Valsavas:
— Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros,
Os olhos
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias,
P'ra outro
Não eu!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem ?!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Calado,
Sózinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!

Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então;
Qual pálida
Rosa
Mimosa
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida
No chão!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!..."

Casimiro de Abreu

14 agosto, 2007

Encontros e despedidas


Foto: Nuno André Monteiro
Fonte: Olhares.com


"Que encontremos todos algo que procurávamos há tempos,
e que saibamos reconhecer esse algo quando o encontremos!"

Encontros e Despedidas

"Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai querer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar"


Milton Nascimento e Fernando Brant

31 julho, 2007

Começo a conhecer-me. Não existo...


Foto: Karina Bertoncini
Título: Um conto, um canto
Fonte: Olhares.com


"Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim..."

Álvaro de Campos

19 julho, 2007

Mon Animal


Foto: Joaquim Filipe
Título: A musa
Fonte:
Olhares.com

"Eu a vejo quase todas as manhãs. Não é exatamente bonita. Aliás ela é de uma feiúra estranha como se carregasse uma boniteza espalhada em si, nos gestos e não nos traços exatamente.
Não importa. Importa é que a vejo acompanhada perenemente pelo seu cão.
Um pastor alemão com cara de bom companheiro. E o é. Eu vejo.
Olha-a muito, encaixa seu focinho entre os joelhos dela, brinca com ela, gane querendo dengo.
Ela também, essa minha vizinha de uns quarenta e vividos anos, brinca de não-solidão com esse cachorro específico; gosta dele, ri:
"Não Duque, assim não, deixa o moço",
"Duque, me espere. Não vá na minha frente assim",
"Cuidado com o carro, menino". Ele a olha como quem agradece.

E vão os dois, não em vão, pelas ruas de Copacabana sob o sol, felizes que só vendo. Eu vejo.
Ela é camelô; nos encontramos no elevador e eu:
- Vocês se divertem tanto, é tão bonito.
- É, nos conhecemos na rua. Ele olhou pra mim bem nos meus olhos. Eu estava trabalhando. Vi logo que era um cão bem cuidado fisicamente mas faltava-lhe carinho. Deixei minhas bugigangas (ela vende coisas que querem imitar jóias antigas) por não sei quanto tempo e fiquei agachada na calçada na Avenida Nossa Senhora, só namorando ele. Decidimos que ele viveria comigo. Naturalmente. Tudo aconteceu "naturalmente", ela frisou, como se quisesse dissipar de mim qualquer sombra de suspeita de um possível roubo.

Noutro dia no mesmo elevador, ela com seu carrinho de balangandãs, eu e Duque.
O elevador apertado e ela continuou femininamente a conversa do último elevador nosso:
- Tenho certeza que ele é de câncer. É muito sensível. Só falta falar. Né Duque? ... ele não é lindo?
Eu disse: Lindíssimo. E você que signo é?
- Ah, sou capricórnio mas com ascendente em câncer, combina sim.

Eu vejo Duque lambendo as mãos dela, as magras mãos cujos dedos ela oferecia de propósito e distraidamente a mordida dele. Eu olho admirando receosa por conta dos afiados dentes dele. Quase não entendo de cães.
- Você tem medo... ô não ofenda ele; Duque entende pensamentos e não gostou do que você pensou. Jamais me morderia, jamais me trairia. Né Duque?
Senti o pensamento de Duque latindo que jamais a trairia. Achei bonito. Chegamos.
- Tchau, bom trabalho.
- Tchau Duque.

Fui para a rua pensando longamente nos dois. Depois pensei nos mistérios da astrologia e perdi o fio do meu pensamento.
Ao final da tarde avistei pela janela Duque e Angela indo ver o crepúsculo na praia. Depois vi os dois voltando sorridentes e caninos, sob a noite estrelada; ela com fitas de vídeo penduradas ao braço; sempre conversando com ele.

Tenho inveja de Angela. This is the true.
O animal que eu quero não mora comigo, não almoça mais comigo, não brinca mais, não me telefona, não me advinha os pensamentos, não me acompanha ao crepúsculo, não gane querendo dengo, nossos signos parecem não mais combinar.
O animal que quero, pensa demais e por isso não passeia mais comigo.
E o pior: Não me lambe mais."

Elisa Lucinda

13 julho, 2007

Do desejo


Foto: Manoel Petry
Título: Ensaio
Fonte: Olhares.com

Do desejo

"Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.

Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível

E o que eu desejo é luz e imaterial.

Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?"

Hilda Hilst
(Da Noite - 1992)

11 julho, 2007

Soneto da separação


Foto: Ana Meireles
Fonte: Olhares.com

"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente"

Vinícius de Moraes

21 junho, 2007

Pingos de chuva



Foto: Tempestade no Olimpo
Autor: João Rodrigues
Fonte:
Olhares.com

"A chuva molha a vidraça.
São tristes os pingos escorrendo devagar na face do vidro.
Tristes?
Antes eram lindos.
Antes ficávamos junto à vidraça
e nos amávamos enquanto os pingos corriam.

Mas, te peço, não fique pensando que eu estou aqui sofrendo
(você não ficaria feliz)
Não sei nem porque te digo isso.

E o barulho no telhado, lembra?
Você costumava dizer que era uma canção de amor.

Mas, te peço, não fique pensando que eu estou aqui sofrendo
(você não ficaria feliz).
Não sei nem porque vim aqui.

Apenas vi a porta aberta,
a chuva lá fora e corri para lhe ver.
Mas você ainda não saiu de seu túmulo de dor.

Voltarei novamente.
Sei que um dia sairás daí.
E, te peço... não pense que estou chorando,
você não ficaria feliz.
São apenas pingos da chuva que me descem pelo rosto."

Dimas Lucena

03 junho, 2007

Ilusões


Foto: Bart
Fonte: Olhares.com


"Minhas ilusões morreram…
Eu estava sentada em frente ao computador quando recebi a notícia do acidente que, alguns meses depois, se mostraria fatal.
Antes disso, elas estavam bem de saúde, mantinham uma rotina diária de exercícios, dieta (engordativa, o que, no caso das ilusões, é muito saudável), vitaminas e tendência a uma auto-estima elevada.
Elas eram tão lindas: cor-de-rosa, redondas, macias... tão confortavelmente instaladas, eu já as conhecia há tanto tempo. Eu as criei, alimentei, vesti-as com as cores mais bonitas. Sempre conversava com elas, mostrava o meu amor, minha adoração.
Não há muito que se dizer do acidente; foi um trem descarrilhado que, em um dia sombrio, frio e nublado, saiu carregando tudo.
Acompanhei a evolução do quadro clínico, vi dia-a-dia a situação piorar. A cada novo dia, elas tinham menos mobilidade, mais dificuldade para respirar. Foram colocadas em aparelhos, com tubos por todo canto. Não pareciam mais tão bonitas naquele estado. É triste dizer isso, mas as ilusões só são mantidas porque são tão bonitas...
Não estou querendo ser preconceituosa, mas ilusões feias?! Melhor não tê-las.
Depois de algum tempo, perderam a sensibilidade; mesmo que sobrevivessem andariam em cadeiras de rodas para o resto da vida.De acordo com os exames e o parecer dos médicos, não havia o que se fazer por elas. Depois de muito sofrer e lamentar, decidi pela eutanásia. Entrei no quarto escuro e desliguei os aparelhos."

Valeschka Guerra

23 maio, 2007

O haver


Título: Melhores dias virão
Foto: Raul Alexandre
Fonte: Olhares.com


"Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura

Essa intimidade perfeita com o silêncio

Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo..."


Vinícius de Moraes

21 maio, 2007

So in love

Em homenagem ao dia 19 de maio...



Título: Tango Argentino
Autor: Pedro Álvarez

"Strange, dear, but true, dear
When I'm close to you, dear
The stars fill the sky
So in love with you am I"


Cole Porter

23 março, 2007

Advice, like youth, probably just wasted on the young

Hoje é meu aniversário. Resolvi aproveitar a rara oportunidade de ficar em casa pela manhã, ler emails, scraps, postar coisas novas no blog, pensar na vida... Depois de postar uma foto no fotolog, resolvi vir para cá. Meio sem saber o que escrever, acabei me decidindo por várias coisas. No Blog "Livro dos dias", coloquei "frases, pequenos poemas, coisas que gosto de ler de vez em quando, fotos que me fazem sorrir com lembranças boas. Comfort food pro meu coração." Aqui, vou colocar um texto que adoro e tem muitos conselhos bons; interessante de ler, sempre que possível. A tradução famosa está logo abaixo de cada parágrafo, em verde.

Advice, like youth, probably just wasted on the young
Mary Schmich
http://www.chicagotribune.com/news/columnists/chi-970601sunscreen,0,4664776.column
Published June 1, 1997

“Inside every adult lurks a graduation speaker dying to get out, some world-weary pundit eager to pontificate on life to young people who'd rather be Rollerblading. Most of us, alas, will never be invited to sow our words of wisdom among an audience of caps and gowns, but there's no reason we can't entertain ourselves by composing a Guide to Life for Graduates. I encourage anyone over 26 to try this and thank you for indulging my attempt.

Ladies and gentlemen of the class of '97: Wear sunscreen.
(Senhoras e senhores da turma de 97: usem filtro solar.)



If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be it. The long-term benefits of sunscreen have been proved by scientists, whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience. I will dispense this advice now.
(Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: "Usem filtro solar". Os benefícios, a longo prazo, do uso do filtro foram cientificamente provados. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência. Eis aqui um conselho.)

Enjoy the power and beauty of your youth. Oh, never mind. You will not understand the power and beauty of your youth until they've faded. But trust me, in 20 years, you'll look back at photos of yourself and recall in a way you can't grasp now how much possibility lay before you and how fabulous you really looked. You are not as fat as you imagine.
(Desfrute do poder e da beleza de sua juventude. Oh, esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza de sua juventude quando já tiverem desaparecido. Mas, acredite em mim. Dentro de vinte anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você e quão realmente fabuloso(a) você era. Você não é tão gordo(a) quanto imagina.)



Don't worry about the future. Or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubble gum. The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind, the kind that blindside you at 4 p.m. on some idle Tuesday.
Do one thing every day that scares you.
Sing.
(Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete.
É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você às 4 da tarde em alguma terça-feira ociosa.
Todos os dias, faça alguma coisa que seja assustadora.
Cante.)

Don't be reckless with other people's hearts. Don't put up with people who are reckless with yours.
Floss.
Don't waste your time on jealousy. Sometimes you're ahead, sometimes you're behind. The race is long and, in the end, it's only with yourself.
(Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você.
Use fio dental.
Não perca tempo com a inveja. Algumas vezes você ganha, algumas vezes perde. A corrida é longa e, no final, tem que contar só com você.)

Remember compliments you receive. Forget the insults. If you succeed in doing this, tell me how.
Keep your old love letters. Throw away your old bank statements.
Stretch.
(Lembre-se dos elogios que recebe. Esqueça os insultos. Se conseguir fazer isso, me diga como. Guarde suas antigas cartas de amor. Jogue fora seus velhos extratos bancários. Estique-se.)

Don't feel guilty if you don't know what you want to do with your life. The most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives. Some of the most interesting 40-year-olds I know still don't.
Get plenty of calcium. Be kind to your knees. You'll miss them when they're gone.
(Não tenha sentimento de culpa se não sabe muito bem o que quer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem. Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.)

Maybe you'll marry, maybe you won't. Maybe you'll have children, maybe you won't. Maybe you'll divorce at 40, maybe you'll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary. Whatever you do, don't congratulate yourself too much, or berate yourself either. Your choices are half chance. So are everybody else's.
( Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento. O que quer que faça, não se orgulhe nem se critique demais. Todas as sua escolhas têm 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.)



Enjoy your body. Use it every way you can. Don't be afraid of it or of what other people think of it. It's the greatest instrument you'll ever own.
Dance, even if you have nowhere to do it but your living room.
Read the directions, even if you don't follow them.
Do not read beauty magazines. They will only make you feel ugly.
(Curta seu corpo da maneira que puder. Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensem dele. Ele é seu maior instrumento. Dance, mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar. Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga.
Não leia revistas de beleza. A única coisa que elas fazem é fazer você se sentir feia.)

Get to know your parents. You never know when they'll be gone for good. Be nice to your siblings. They're your best link to your past and the people most likely to stick with you in the future.
(Conheça seus pais. Você não sabe a falta que sentirá deles quando eles tiverem ido embora para sempre. Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com seu passado e aqueles que provavelmente estarão do seu lado no futuro.)



Understand that friends come and go, but with a precious few you should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography and lifestyle, because the older you get, the more you need the people who knew you when you were young.
(Entenda que amigos vão e vêm, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com carinho. Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude. )



Live in New York City once, but leave before it makes you hard. Live in Northern California once, but leave before it makes you soft. Travel.
Accept certain inalienable truths: Prices will rise. Politicians will philander. You, too, will get old. And when you do, you'll fantasize that when you were young, prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders.
Respect your elders.
(More em Nova York uma vez, mas mude-se antes que a cidade transforme você em uma pessoa dura. More no Norte da Califórnia uma vez, mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole. Viaje.
Aceite certas verdades eternas: os preços sempre vão subir; os políticos são todos mulherengos; você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que, quando você era jovem, os preços eram acessíveis, os políticos eram nobres de alma, e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite as pessoas mais velhas. )

Don't expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund. Maybe you'll have a wealthy spouse. But you never know when either one might run out.
Don't mess too much with your hair or by the time you're 40 it will look 85.
Be careful whose advice you buy, but be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia. Dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts and recycling it for more than it's worth.
But trust me on the sunscreen.”
(Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha uma aposentadoria. Talvez tenha um cônjuge rico. Mas, você nunca sabe quando um ou outro podem desaparecer.
Não mexa muito em seu cabelo. Senão, quando tiver 40 anos, vai ficar com a aparência de 85.
Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos, mas seja paciente com elas.
Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um por um preço maior do que realmente vale.
Mas, acredite em mim quando eu falo do filtro solar.)

26 fevereiro, 2007

Bom demais



Bom Demais
(J. Michilles)

"Tem mais que estar nessa
Fazendo misura na ponta do pé
Quando o frevo começa
Ninguém me segura
Vem ver como é

Tem mais que estar nessa
Fazendo misura na ponta do pé
Quando o frevo começa
Ninguém me segura
Vem ver como é

O frevo madruga
Lá em São José
Depois em Olinda
Na praça do Jacaré

Bom demais, bom demais
Bom demais, bom demais
Menina vem depressa
Que esse frevo é bom demais

Bom demais, bom demais
Bom demais, bom demais
Menina vamos nessa
Que esse frevo é bom demais"

Hino das Muriçocas do Miramar

Os recifenses que me perdoem, mas João Pessoa também tem carnaval. E não tem quem bata as Muriçocas. Então, aqui vai o hino do melhor bloco pré-carnavalesco, as Muriçocas do Miramar.



Foto: Site oficial das Muriçocas
Hino das Muriçocas do Miramar


"João Pessoa sonha
com o seu verde e colorido azul do mar
e a cidade velha
já se acorda com seu canto secular

São as muriçocas
abram alas que elas vão voar
espalhando alegria
de Tambaú ao Rio Sanhauá

É um trê-lê-lê,
é um zum-zum-zum-zunindo
É um trê-lê-lê,
Cuidado que elas vão te picar,
salve, salve, sejam bem, bem-vindas
as muriçocas do Miramar

É um trê-lê-lê,
é um zum-zum-zum-zunindo
É um trê-lê-lê,
Cuidado que elas vão te picar,
salve, salve, sejam bem, bem-vindas
as muriçocas do Miramar"


Fuba

16 fevereiro, 2007

Galo da Madrugada


Hino do Galo da Madrugada

Ei pessoal, ei moçada
Carnaval começa no Galo da madrugada

A manhã já vem surgindo,
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada
já está na rua, saldando o Carnaval

Ei pessoal, ei moçada
Carnaval começa no Galo da madrugada

As donzelas estão dormindo
As cores recebendo o orvalho matinal
E o Galo da Madrugada
Já está na rua, saudando o Carnaval

Ei pessoal, ei moçada
Carnaval começa no Galo da madrugada

O Galo também é de briga, as esporas afiadas
E a crista é coral
E o Galo da Madrugada, já está na rua
Saudando o Carnaval

Ei pessoal, ei moçada
Carnaval começa no Galo da madrugada

Professor José Mário Chaves

14 fevereiro, 2007

Noite dos mascarados

Uma pausa no frevo, devido ao Valentine's Day (Dia dos namorados na Europa), mas ainda em ritmo de carnaval...



Noite dos mascarados

"Quem é você?
Adivinha se gosta de mim
Hoje os dois mascarados
procuram os seus namorados perguntando assim:
Quem é você, diga logo...
...que eu quero saber o seu jogo
...que eu quero morrer no seu bloco...
...que eu quero me arder no seu fogo

Eu sou seresteiro, poeta e cantor
O meu tempo inteiro, só zombo do amor
Eu tenho um pandeiro
Só quero um violão
Eu nado em dinheiro
Não tenho um tostão...
Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar
Eu sou tão menina
Meu tempo passou
Eu sou colombina
Eu sou pierrô

Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar,
deixa o barco correr,
deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira
que você me quer
O que você pedir eu lhe dou
Seja você quem for, seja o que Deus quiser
Seja você quem for, seja o que Deus quiser"

Chico Buarque

12 fevereiro, 2007

Elefante



Foto: Passarinho
Título: Elefante
Fonte:
Prefeitura de Olinda

Olinda N.2/Elefante

"Ao som dos clarins de Momo
O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando
A sua tradições
E também o seu esplendor

Olinda esse meu canto
Foi inspirado em seu louvor
Entre confetes e serpentinas
Venho lhe oferecer
Com alegria o meu amor

Olinda! Quero cantar
A ti, esta canção
Teus coqueirais
O teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar
Minha Olinda sem igual
Salve o teu carnaval"

Clóvis Vieira e Clidio Nigro

Hino da Ceroula



Foto: Passarinho
Título: Passistas
Fonte:
Prefeitura de Olinda

Em uma pequena homenagem ao Carnaval, em especial ao de Olinda (eita, saudade...), vou apresentar aqui algumas das músicas que escutava enquanto subia e descia as ladeiras da cidade alta, os hinos do Carnaval que fazem todo mundo cair na folia; aqueles que são impossíveis de esquecer, não importa o quanto ou há quanto tempo se está longe.

Hino da Ceroula

"Eu vou este ano à Lua
Não é privilégio
Foguete já tem

Eu quero ver se lá tem carnaval de rua
Collin e Armstrong
disseram que tem

Eu quero ver se tem troça que escolha
Como em Olinda que tem a Ceroula

Mas se tiver para mim é legal
Passarei lá na Lua todo o carnaval
Mas se tiver para mim é legal
Passarei lá na Lua todo o carnaval"

Milton B. Alencar

02 fevereiro, 2007

Eu vou lhe contar que você não me conhece...




Foto: Lara Pires
Título: Into my soul
Fonte:
Olhares.com

“Eu vou lhe contar que você não me conhece.
Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você.
Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira
um abismo maior nos separa.

Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou
e a mentira da aparência do que você é,
porque eu não sou meu nome e você não é ninguém.

O jogo perigoso que eu pratico aqui,
ele busca chegar ao limite possível de aproximação,
através da aceitação da distância e do reconhecimento dela.

Entre eu e você existe a notícia, que nos separa.
Eu quero que você me veja à mim.
Eu me dispo da notícia, e a minha nudez parada te denuncia e te espelha.

Eu me delato, tu me relatas.
Eu nos acuso e confesso por nós.
Assim me livro das palavras com as quais você me veste.”

Texto: Fauzi Arap
Por Maria Bethânia, álbum Pássaro da Manhã - 1977

31 janeiro, 2007

A paixão segundo G.H.




Foto: Miguel Delgado e Silva
Título: Looking
Fonte:
Olhares.com


"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mais que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que eu nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem querer precisar me procurar."

Clarice Lispector

20 janeiro, 2007

Nascimento



Foto: António Lança
Título: Solitária II
Fonte: Olhares.com


Nascimento

“Saio de mim mesma
como pássaro
do ovo.

De espaço
e asas
faço meu aprendizado...”

Violeta Formiga

08 janeiro, 2007

À flor da pele



Foto: Framurana
Título: A mulher que vem da estátua
Fonte: Olhares.com

À flor da pele

"Ando tão à flor da pele,
Qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele,
Que teu olhar, flor na janela, me faz morrer
Ando tão à flor da pele,
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele,
Que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras suicido"

Zeca Baleiro

02 janeiro, 2007

Feliz 2007!!



Foto: Pedro N. S. Costa
Título: Asas da liberdade
Fonte: Olhares.com


Voa coração

"Voa coração
que a minha força te conduz
que o sol de um novo amor em breve vai brilhar

Vara a escuridão
vai onde a noite esconde a luz
clareia seu caminho e acende seu olhar

Vai onde aurora mora e acorda um lindo dia
colhe a mais bela flor
que alguém já viu nascer

E não esqueça de trazer força e magia
o sonho, a fantasia
e alegria de viver

Voa coração
que ele não deve demorar
e tanta coisa mais quero lhe oferecer

O brilho da paixão
pede uma estrela pra emprestar
e traga junto a fé de um novo amanhecer

Convida a lua cheia, minguange e crescente
e de onde se planta a paz
da paz, quero a raiz

E uma casinha lá onde mora o sol poente
pra finalmente a gente
simplesmente ser feliz..."


Toquinho

15 dezembro, 2006

O que tinha de ser



Foto: Luís Pereira Jr.
Título: Círculos
Fonte: Olhares.com


O que tinha de ser

"Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança

Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher

Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma

Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser "

Vinicius de Moraes & Antonio Carlos Jobim

10 dezembro, 2006

Sonho



Foto: Nuno Milheiro
Título: Spring Painting
Fonte: Olhares.com


Sonho
(2001)

"À noite, fechei os olhos
E me rendi ao cansaço
De mansinho, o sono chegou
E me levou pelo espaço.

Vi uma revoada de borboletas
Por sobre as flores da estrada,
Tinha uma canção da cabeça
Para alegrar minha caminhada.

No campo passei voando
Num galope disparado,
Senti o vento no rosto
Com o coração acelerado.

Vi todas as estrelas do céu
Em noite de lua cheia,
E seu brilho era um véu
De prata por sobre a areia.

Vi o sol nascer bonito
Quando o dia se levanta,
E ouvi a alegria
Da passarada quando canta.

Senti o cheiro da chuva
No olho verde da vida
E voltou ao meu coração
A alegria perdida.

No mundo dos sonhos, eu vi
Na suave claridade,
Um sol em seu olhar
Brilhar com intensidade.

Vi o sorriso dos filhos
Que ainda desejo ter
Naquele olho de sol
Que sorria, a me aquecer.

Vi tantas coisas lindas,
Arco-íris, tempestades,
O pincel de um poeta
A colorir a cidade.

Vi um dia ensolarado,
Uma noite de luar,
As quatro estações do ano,
O mundo sempre a girar.

Senti o cheiro da terra
No meu corpo se perder
Senti o sorriso da vida
Em meus lábios florescer
E, ao acordar da viagem,
Sei que sonhei com você..."

17 outubro, 2006

Sorrisos




Foto: Sérgio Redondo
Fonte: Olhares.com



Sorrisos

"Fiz poesias para você... ainda as faço.
Palavras de tinta azul na folha em branco
Cujas linhas direcionam meus pensamentos,
Sensações, desejos, sentimentos
Descrevo o teu sorriso, o teu olhar,
A sutileza dos gestos,
Enquanto sua respiração quente arrepia minha pele.
Meu olhar sorri.

Sonhei com você... ainda sonho
Entre flores e pesadelos,
sensações surreais de amor e distância
Que preenchiam minha cama nas noites de solidão e ânsia.
Meu sono sorri.

Viajei com você... ainda viajo.
Demos uma volta ao mundo juntos.
Navio, carro, avião, estrada.
Quantas luas, quantos sóis nessa nossa caminhada
Quantas noites estreladas vivemos na grama molhada
Nos quatro cantos do mundo.
Meu caminho sorri.

Fiz amor com você... ainda faço.
Minha cama em fogo, cheiros, toques, sons e gritos
Respiração pesada e quente no meu peito
Jeito de quem não tem medo e nem pudor
Do sexo e do amor.
Meu corpo sorri.

Tive filhos com você... ainda os tenho.
Crianças brincam ao meu redor.
Seu sorriso eu vejo em cada rosto
E o brilho dos seus olhos brota do meu ventre,
Rasga o corpo e eu te dou à luz.
Meu filho sorri.

Vivi com você... ainda vivo.
Quanto tempo durou? Não sei.
Sei que já acabou.
Mas, em meu pensamento,
Ainda vivemos juntos, ao sabor do vento
E eu sei que ainda espero o teu retorno, forte e quente
Para que o meu sorriso volte a estar presente
Nas suas canções."

Em 08 de dezembro de 2000

14 outubro, 2006

Soneto da palavra



Foto: Nuno André Monteiro
Fonte: Olhares.com


Soneto da palavra

"A palavra nos define
A palavra nos limita
Existimos pela palavra
Verbo: palavra infinita.

Difícil é comunicar,
Expressar, abrir a boca
A palavra nos expõe
É como tirar a roupa.

Despir o corpo de seu sentido
Esvaziar-me de tudo:
Do sagrado e do proibido.

Virar palavra única, essencial.
Assim me encontro, grito mudo
Silêncio: palavra final."

22 de maio de 2001

(escrito após uma falha de comunicação no diálogo dos meus sentimentos com os teus...)

03 outubro, 2006

Minha alma tem o peso da luz...

"Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita,
prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

Clarice Lispector

27 agosto, 2006

Sugestão



Foto: Rubem Graça
Fonte: Olhares.com


Sugestão

"Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.

Uma cidade, sim. Edificada nas nuvens,
não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.

Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.

Uma cidade onde possas cantar
quando o teu peito parecer,
a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde possas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.

Uma cidade onde possas achar,
rútila e doce, a aurora
que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.

Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.

Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fardo: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.

Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.

É tempo. Faze tua cidade eterna,
e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida."

Thiago de Mello

25 agosto, 2006

Maurício

Nestes últimos dias, tenho acordado assim meio que de mau humor, meio que querendo colo, mas querendo ficar sozinha.
Um aperto grande no peito, como a iminência de algo, de uma explosão, de uma descoberta que vai de novo me jogar no abismo.
Ontem, consegui fazer algo bom, que me ajudou a afastar isso, mas hoje não está acontecendo.
Então, estou quieta, no canto, só observando pra ver se essa sensação passa, se o nó se desfaz, ou se consigo identificar o que está para acontecer.
Não sei se quero identificar isso como uma tentativa de prevenir, evitar que aconteça, ou de me preparar para aquilo que não será mais inesperado, mais ainda assim uma surpresa.

Acho que estou ouvindo Legião Urbana demais...



Foto: Patagonia
Fonte: Olhares.com


Maurício

"Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu.

Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar.
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem.

Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Para algum país distante e
Voltar a ser feliz.

Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se meu desejo estão já se realizou
O que fazer depois
Pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim."

Renato Russo

24 agosto, 2006

Explode coração



Foto: Edson Santos
Fonte: Olhares.com


"Chega de tentar dissimular
e disfarçar
e esconder
o que não dá mais pra ocultar
E eu não posso mais calar
já que o brilho desse olhar
foi traidor
e entregou o que você tentou conter
o que você não quis desabafar
e me cortou

Chega de temer, chorar, sofrer
sorrir, se dar
e se perder
e se achar
e tudo aquilo que é viver
eu quero mais é me abrir
e que essa vida entre assim
como se fosse o sol
desvirginando a madrugada
quero sentir a dor dessa manhã

Nascendo, rompendo, rasgando,
tomando meu corpo
e então eu
chorando, sofrendo, gostando,
adorando, gritando
feito louca, alucinada e criança
sentindo o meu amor se derramando
Não dá mais pra segurar
Explode coração"

Gonzaguinha

23 agosto, 2006

O amor é fogo que arde sem se ver



Obra: "O beijo"
Autor: Auguste Rodin


"Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"

Luís de Camões

18 agosto, 2006

Anabela



Foto: Sérgio Rodrigo
Fonte: Olhares.com


Anabela

"No porto de Vila Velha
Vi Anabela chegar
Olho de chama de vela,
Cabelo de velejar,
Pele de fruta cabocla
Com a boca de cambucá
Seios de agulha de bússola
Na trilha do meu olhar
Fui ancorando nela
Naquela ponta de mar

No pano do meu veleiro
Veio Anabela deitar
Vento eriçava o meu pelo
Queimava em mim seu olhar
Seu corpo de tempestade
Rodou meu corpo no ar
Com mãos de rodamoinho
Fez o meu barco afundar

Eu que pensei que fazia
Daquele ventre meu cais
Só percebi meu naufrágio
Quando era tarde demais
Vi Anabela partindo
Pra não voltar nunca mais"

Música: Mário Gil e Paulo César Pinheiro
Interpretação: Renato Braz

28 julho, 2006

Muito obrigado


Foto: Rui Calado Nogueira
Fonte: Olhares.com


Muito obrigado

"as igrejas prometem a salvação do povo
as esquerdas defendem a liberdade do povo

os governos constroem casas para o povo
os artistas elaboram arte para o povo

psicólogos propõem a terapia do povo
pedagogos descobrem como educar o povo

os políticos garantem a proteção do povo

o povo agradece comovido
e manda dizer que não está"

Ronaldo Monte de Almeida

14 julho, 2006

O filho que eu quero ter...


Foto: Retrato de um anjo
Autor: Ricardo Costa Vieira
Fonte: Olhares.com


Em homenagem aos amigos Alexandre e Franci (pais do Felipe), Junior e Geyza (pais do Guilherme), e o mais novo casal da lista, Gianna e Ronny (pais de ?).
Beijos enormes, meus amigos.
Muitas felicidades pra estas famílias que se iniciam.

O filho que eu quero ter

"É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer

Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter

Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem

De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde eu vim

Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim

Dorme, menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu

E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus

Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter"

Toquinho e Vinícius de Moraes

09 julho, 2006

Soneto


Foto: Mintegui
Fonte: Olhares.com


Soneto

"De leve beijo as suas mãos pequenas
Alvas, de neve, e, logo um doce, um breve
Fino rubor lhe tinge a face apenas
De leve beijo as suas mãos de neve.

Ela vive entre lírios e açucenas,
E o vento a beija e como o vento, deve
Ser o meu beijo em suas mãos serenas
- Tão leve o beijo como o vento é leve.

Que essa divina flor, que é tão suave
Ama o que é leve, como um leve adejo
de vento ou como um garganteio de ave.

E já me basta para meu tormento
Saber que o vento a beija, e que o meu beijo
Nunca será tão leve como o vento..."

Zeferino Brasil

30 junho, 2006

Despedida



Foto: Melancolia
Autor: Graça
Fonte: Olhares.com


Despedida

"Não me coroes, Alma querida, de rosas:
o encanto da Juventude é efêmero;
e a minha é quase extinta.
Também não me coroes de louros:
a Glória não fala ao coração, nem o ouve;
passa longínqua e fria.
Coroa-me das heras, que abraçam as graves ruínas:
são da humildade símbolo, e da tristeza eterna..."

Carlos Magalhães de Azeredo

21 junho, 2006

Eu apenas queria que você soubesse...


Foto: Paulo Amado
Lugar: Casa de Fados, em Lisboa


Eu apenas queria que você soubesse...

"Eu apenas queria
que você soubesse
Que aquela alegria
ainda está comigo
E que a minha ternura
não ficou na estrada
não ficou no tempo
presa na poeira

Eu apenas queria
que você soubesse
Que esta menina
hoje é uma mulher
E que esta mulher
é uma menina
que colheu seu fruto
na flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer
a todo mundo que me gosta
que hoje eu me gosto muito mais
porque me entendo
muito mais também
E que a atitude
de recomeçar
É todo dia, toda hora
É se respeitar
na sua força e fé
Se olhar bem fundo
até o dedão do pé

Eu apenas queria
que você soubesse
Que essa criança
brinca nessa roda
E não teme o corte
de novas feridas
pois tem a saúde
que aprendeu com a vida"

Gonzaguinha

18 junho, 2006

Lua adversa


Foto: The burning heart
Autor: Sombra de Prata
Fonte: Olhares.com


Lua adversa

"Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..."

Cecília Meireles

12 junho, 2006

Minha namorada



Minha namorada

"Meu poeta hoje eu estou contente
Todo o mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo de morrer.
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesmo sei de que
Porque eu recebi uma cartinhazinha de você:
Se você quer ser minha namorada
Ai, que linda namorada
Você poderia ser.
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha,
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ter
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas estórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque.
E se mais do que minha namorada,
Você quer ser minha amada,
Minha amada, mas amada pra valer.
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada,
Sem a qual se quer morrer,
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois"

Vinícius de Moraes

09 junho, 2006

Bem no Fundo

"No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas."

Paulo Leminski

05 junho, 2006

Aqui na orla da praia...



Foto: Nuno Manuel Baptista
Fonte: Olhares.com



"Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.

A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé.

Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.

Dêem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.

Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu."

Fernando Pessoa